PATRIMÓNIO CULTURAL IP E CÂMARA MUNICIPAL DE VIANA DO CASTELO REALIZAM CAMPANHA ARQUEOLÓGICA DEDICADA AO PATRIMÓNIO MARÍTIMO E SUBAQUÁTICO DO MUNICÍPIO VIANENSE QUE É UMA DAS ÁREAS COM MAIOR SENSIBILIDADE ARQUEOLÓGICA EM PORTUGAL
Missão decorre de 18 a 30 de maio de 2026,
envolve o estudo da Piroga 7 do rio Lima e apela à participação da comunidade
marítima local
A paisagem cultural marítima e subaquática de
Viana do Castelo vai ser alvo de trabalhos arqueológicos pelo Centro
Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) do Património
Cultural, Instituto Público e pela Unidade Orgânica de Arqueologia (UOA-CMVC)
da Câmara Municipal de Viana do Castelo, no âmbito de uma campanha a decorrer
entre os próximos dias 18 e 30 de maio.
O objetivo é aprofundar o conhecimento
científico do património arqueológico marítimo e subaquático de Viana do
Castelo - uma das áreas com maior sensibilidade arqueológica em Portugal
continental – contribuindo para uma melhor gestão dos bens, o que inclui a sua
salvaguarda, divulgação e valorização.
Os trabalhos a desenvolver nesta campanha
resultam de uma articulação institucional de proximidade, cimentada nos últimos
dois anos na sequência de importantes achados fortuitos encontrados no rio Lima
e no mar de Viana do Castelo, e também no âmbito da salvaguarda preventiva
deste património cultural.
No mar e no rio conhecem-se perto de uma
centena de sítios arqueológicos, achados isolados e referências documentais
para este património, cuja importância está bem patente no forte valor
identitário e na intrínseca ligação dos Vianenses com o mar.
Pirogas do Rio Lima
Um dos elementos que se destaca é o conjunto de
pirogas encontradas no rio Lima, nos sítios de Lugar da Passagem (entre
Lanheses e Moreira de Geraz do Lima) e S. Simão (Mazarefes e Santa Marta). A
relevância do conjunto de seis pirogas, enquanto primeiro testemunho
arqueológico da navegação em Portugal há mais de 2500 anos e que se prolongou
até à Baixa Idade Média, foi reconhecida em 2021 com a classificação
de Tesouro Nacional, pelo seu valor científico e patrimonial, sem paralelo
na Península Ibérica e único em Portugal.
A Piroga 7 do rio Lima, encontrada no início de
2023 na Ínsua, entre as freguesias de Mazarefes - Santa Marta, será uma das
peças arqueológicas em destaque nos trabalhos previstos nesta missão.
Construída a partir de um único tronco de árvore, com mais de cinco metros de
comprimento, a piroga vai poder ser visitada pela população no próximo dia
22, pelas 17h30. Nesta visita também serão dados a conhecer os trabalhos de
registo, tratamento e análise que vão ser desenvolvidos.
Apelo à participação
Outro dos objetivos dos trabalhos arqueológicos
do CNANS é a verificação de achados fortuitos que a comunidade local conhece ou
encontra no mar. Há mais de 30 anos que pescadores, mariscadores, caçadores
submarinos e mergulhadores reportam vestígios arqueológicos na costa de Viana
do Castelo.
Pretende-se agora proceder ao inventário,
localização, registo arqueológico e caracterização de vestígios como âncoras e
ânforas romanas, anforetas, peças de artilharia e âncoras modernas e naufrágios
contemporâneos encontrados frente a sítios como Viana do Castelo, Montedor,
Amorosa e Castelo de Neiva.
Neste sentido, o CNANS e a UOA-CMVC apelam à
participação da comunidade marítima de Viana do Castelo para partilharem
informações sobre peças e vestígios arqueológicos que saibam existir na frente
ribeirinha, no rio Lima e no mar de Viana do Castelo.
O resultado preliminar dos trabalhos de
arqueologia marítima e subaquática será apresentado no dia 29 de maio, pelas
17h30, na Biblioteca de Viana do Castelo. A participação em ambas as atividades é
gratuita mas requer inscrição prévia através do email arqueologia@cm-viana-castelo.pt
Os trabalhos a desenvolver nesta campanha terão
a participação da Cátedra da UNESCO “O Património Cultural dos Oceanos”,
através do CHAM - Centro de Humanidades, e a colaboração dos Bombeiros
Sapadores de Viana do Castelo, do Centro de Formação Regional de Viana do
Castelo (CFRVC- CNE JR), do centro de mergulho Cavaleiros do Mar e do achador
Mário Jorge, entre outros elementos.



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