TABERNAS DOS MINHOTOS EM LISBOA SERVIRAM DE VIVEIRO A MUITAS COLETIVIDADES DE CULTURA E RECREIO
Grupos
excursionistas, almoçaristas e jantaristas tiveram a sua sede nas tabernas dos
minhotos
Desde os começos do século passado,
constituiu-se um hábito a constituição de pequenos “clubes” formados por
frequentadores das tabernas com o propósito de promoverem entre si a
confraternização através da realização de excursões ou simples repastos. Tratava-se
dos chamados grupos excursionistas, almoçaristas e jantaristas cuja marca mais
visível eram os graciosos quadros emoldurados exibidos nas tabernas onde eram
visíveis as fotos dos seus sócios.
Não raras as vezes, a fusão destes grupos veio a dar origem a
muitas das coletividades de cultura e recreio existentes em Lisboa, algumas das
quais de grande notoriedade.
Com um número de sócios limitado e com regras pouco definidas,
os seus membros quotizavam-se entre si para periodicamente organizarem um
passeio ou uma refeição, havendo nalguns casos os que anualmente promoviam uma
ação de benemerência, oferecendo roupa e calçado às crianças pobres do seu
bairro. A admissão de um novo sócio dependia geralmente da vaga deixada pelo
falecimento ou desistência de algum dos membros do grupo.
Com o desaparecimento das velhas tabernas nos bairros lisboetas,
também esse costume foi perdendo-se e, com ele, os magníficos quadros que
identificavam os grupos, os emblemas e programas produzidos nas tipografias. Na
realidade, perde-se um pedaço da história da cidade e do associativismo popular
cuja preservação ainda é possível se os nossos historiadores e museólogos forem
a tempo de a recuperar junto das gerações mais antigas, mormente dos velhos
taberneiros minhotos que muitas vezes se constituíram como fiéis depositários
do seu espólio.

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