TERRAS DE BOURO ABRANGIDO POR NOVO PROGRAMA DE REORDENAMENTO DA PAISAGEM COM INCIDÊNCIA NO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS
Terras de Bouro integra a área de intervenção do
Programa de Reordenamento e Gestão da Paisagem das Serras da Peneda e Gerês
(PRGPSPG), aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 81-A/2026,
diploma que abrange territórios inseridos no Parque Nacional da Peneda-Gerês.
De acordo com o documento, o programa abrange uma
área de cerca de 48.850 hectares distribuída por 45 freguesias dos concelhos de
Amares, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Terras de Bouro e
Vila Verde. No concelho de Terras de Bouro estão incluídas freguesias como
Covide, Gondoriz, Moimenta, Souto, Valdosende, Campo do Gerês, Carvalheira, Rio
Caldo, Chamoim e Vilar, Chorense e Monte e Cibões e Brufe.
A área de intervenção encontra-se abrangida por
uma Área Protegida da Rede Nacional de Áreas Protegidas, nomeadamente o Parque
Nacional da Peneda-Gerês, por uma Zona de Proteção Especial, por duas Zonas
Especiais de Conservação da Rede Natura 2000, por uma Área Importante para Aves
e Biodiversidade e por diversas áreas submetidas a Regime Florestal. O
documento destaca ainda que o Parque Nacional da Peneda-Gerês ocupa uma área
total de 69.592,5 hectares distribuída pelos concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez,
Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre.
O plano estabelece uma nova abordagem à gestão da
paisagem, centrada na conetividade ecológica, na valorização dos recursos
naturais e na redução da vulnerabilidade aos incêndios rurais. Entre as
principais medidas previstas estão a recuperação e valorização de galerias
ripícolas, a criação de mosaicos agro-silvo-pastoris, a gestão de combustíveis,
o reforço das espécies autóctones e a compartimentação da paisagem para travar
a propagação do fogo.
Segundo o documento, os sistemas florestais
ocupam cerca de 31,8% da área de intervenção, enquanto os matos representam
31,1% e os sistemas agrícolas cerca de 13,3%. O programa identifica ainda os
mosaicos agro-silvo-pastoris como elementos estratégicos para integrar
agricultura e pecuária, reduzir a carga combustível e reforçar a resiliência do
território face aos incêndios.
A estratégia definida assenta em três objetivos
principais: reduzir a vulnerabilidade aos fogos rurais, valorizar a aptidão dos
solos e os serviços prestados pelos ecossistemas e aumentar o valor económico
do território através da dinamização da economia rural. Entre as medidas
previstas destacam-se o reforço da agricultura de montanha, a promoção da
pastorícia, a valorização da floresta autóctone e a recuperação de estruturas
tradicionais da paisagem.
O documento refere que, entre 1975 e 2024, foram
registados 229 grandes incêndios na área abrangida pelo programa. A modelação
realizada através do sistema FlamMap aponta para uma redução da perigosidade em
cerca de 40,5% da área de intervenção, através das opções propostas para o novo
desenho da paisagem.
Entre as ações prioritárias previstas para Terras
de Bouro encontra-se a criação de uma Área Piloto de Gestão Agregada (APGA)
Gerês — Rio Caldo/Covide/Campo do Gerês, com uma área indicativa de cerca de
3.160 hectares. Esta intervenção pretende promover uma gestão integrada da
paisagem, articulando prevenção de incêndios, conservação da natureza e
valorização das atividades económicas locais.
O programa prevê ainda investimentos em faixas de
gestão de combustível, proteção das áreas edificadas, reconversão de áreas
florestais e criação de zonas agrícolas e pastagens em redor dos aglomerados
populacionais. Está igualmente prevista a recuperação de muros tradicionais,
sistemas de drenagem e pontos de água, considerados essenciais para a
sustentabilidade da paisagem e adaptação às alterações climáticas.
Para Terras de Bouro, a aprovação deste programa
representa uma orientação estratégica para o futuro da gestão do território,
cruzando conservação da natureza, prevenção de incêndios, agricultura de
montanha, floresta autóctone, turismo de natureza e valorização do património
ambiental e cultural do Gerês.

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