MELGAÇO, MONÇÃO E VALENÇA: TERRAS DE CONTRABANDISTAS

O contrabando no rio Minho
O contrabando no Minho realizava-se ao longo de toda a fronteira entre o Alto Minho e a Galiza. Esta atividade clandestina, que serviu de sustento a muitas famílias entre as décadas de 1930 e 1990, concentrava-se em concelhos específicos e utilizava caminhos estratégicos para fintar a vigilância da Guarda Fiscal e dos Carabineiros espanhóis.
Os principais concelhos e locais de passagem eram Melgaço, Monção e Valença.
Melgaço era um dos pontos mais ativos devido à sua geografia. Destaca-se a aldeia de Cevide (o ponto mais a norte de Portugal), onde o contrabando atravessava o rio Trancoso em direção à Galiza. Outra rota famosa ficava no planalto e na raia seca de Castro Laboreiro.
Em Monção, o comércio ilegal de pequena escala era muito forte nas margens do rio Minho, onde as populações locais sabiam exatamente onde cruzar as águas ou os regatos fronteiriços com menor caudal durante o verão.
Em Valença, os contrabandistas aproveitavam os trilhos florestais e caminhos sinuosos ocultos para transportar mercadorias em direção à cidade galega de Tui.
As mercadorias eram transportadas através de duas realidades geográficas distintas. A Raia Húmida ou seja, os caminhos fluviais que consistiam em Travessias noturnas feitas de barco ou a nado nos rios Minho, Trancoso e Laboreiro. E a Raia Seca ou caminhos Terrestres feitos de trilhos  sinuosos pelas serras, montes e passadiços naturais, como a célebre encosta da Caneja em Melgaço, onde os contrabandistas (muitas vezes chamados localmente de "trampicheiros" ou "trapicheiras") passavam a pé carregando fardos às costas. 
Os principais produtos contrabandeados de Portugal para Espanha incluíam o café, açúcar e bacalhau, enquanto do lado galego vinham maioritariamente perfumes, tecidos, sabão e chocolate.
Fonte: IA | Foto: Melgaço entre o Minho e a Serra

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