O MINHO E A CRUZ CELTA

Não é raro no Minho depararmos, sobretudo nos cemitérios do concelho de Viana do Castelo junto ao litoral do Atlântico, com a cruz celta encimando os jazigos funerários. Trata-se de um símbolo ancestral que combina a cruz com um anel que lhe faz intersecção por detrás, representando a espiritualidade focada na criação com base no culto solar.

Com origem remota, a cruz celta tem como o próprio nome indica origem na cultura dos povos celtas que, a partir do segundo milénio Antes de Cristo, se espalhou pela Europa Ocidental e, nomeadamente, pela região do Minho e Galiza. Da fusão de algumas tribos celtas com os iberos resultaram os celtiberos.

Ainda os minhotos não haviam sido convertidos ao Cristianismo e, como lhes é característico, mantinham o seu apego às tradições pagãs, muitos locais como encruzilhadas de caminhos eram assinaladas com cruzes, geralmente associadas ao círculo solar.

A cruz celta jamais representou qualquer culto cristão, o qual tinha inicialmente o peixe como símbolo. Apenas entre os séculos III e IV da Era Cristã, por imposição do Imperador romano Constantino, quando este tomou a espada como símbolo da nova religião do império, foi a cruz adoptada pelos cristãos.

Com a cristianização, muitas foram as representações pagãs que desapareceram para darem lugar a símbolos cristãos. Porém, muitos deles passaram despercebidos e a cultura celta sobrevive na toponímia e em diversos aspectos do nosso folclore. Tal como as sacerdotizas – o paganismo era sobretudo uma religião matriarcal associada à fertilidade da Mãe Natureza! – foram sistematicamente perseguidas sob a acusação de bruxaria.

Muitas foram as divindades que deixaram o seu nome inscrito na nossa região como o deus Macário em Paredes de Coura ou Laraucos de onde derivou o nome da serra de Larouco.

A cruz celta acabou por ser adoptada por algumas confissões cristãs como os protestantes e os católicos anglicanos, tal como algumas forças políticas mais identificadas com os nacionalismos.

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