PELOURINHO DE PONTE DA BARCA É MONUMENTO NACIONAL DESDE JUNHO DE 1910

 

Fonte: Revista “Serões” 2ª Série, nº. 21, Março. 1907 / Hemeroteca Municipal de Lisboa
O Pelourinho de Ponte da Barca encontra-se classificado como MN - Monumento Nacional através do Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910. Reza assim a ficha Histórico-Artística do Património Cultural IP:
A localidade de Ponte da Barca, antiga Torre da Nóbrega (ou Anóbrega), deve o seu nome actual à barca que aí fazia a travessia entre as duas margens do Lima. Foi desde sempre um ponto de passagem muito frequentado, não apenas por via da facilidade com que aí se cruzava o rio, mas igualmente por se situar no cruzamento de dois caminhos de peregrinação, um vindo de Braga em direcção a Santiago de Compostela, e outro da Ribeira Lima para Orense. O seu primeiro foral terá sido outorgado ainda em 1125, por D. Teresa, que então detinha o governo do Condado Portucalense; a concessão de foral e consequente criação do município de Ponte da Barca, e de outros na mesma região, faria parte de uma estratégia de independência em relação à monarquia galega, à qual o condado estava unido por laços de vassalagem. Este primeiro foral seria confirmado por D. Afonso II, em 1217. No entanto, o actual pelourinho da vila terá sido levantado após a doação de Foral Novo, em 1513, por D. Manuel, por documento no qual ainda se refere o topónimo de Vila da Nóbrega. O foral manuelino surge na sequência do incremento da fixação de habitantes na localidade, que durante muito tempo permanecera mais local de passagem do que de fixação das populações.
O monumento localizava-se originalmente no Largo da Misericórdia da vila, perto do edifício dos Paços do Conselho, de onde foi removido para a sua implantação actual, no Jardim dos Poetas, já no século XX. Aí permanece, fronteiro ao antigo mercado, um largo alpendre franqueado por arcadas e erguido em 1752, onde se alojavam os feirantes.
Sobre uma plataforma de quatro degraus quadrangulares ergue-se a base da coluna, formada apenas por plinto e toro. O fuste é liso, de secção circular, de acordo com a simplicidade dos restantes elementos. A coluna é encimada por uma esfera de boas dimensões, que apresenta as armas reais, a Cruz de Cristo e as faixas do brasão dos Magalhães, donatários da vila. O remate será posterior, tendo sido substituído em finais do século XVII e inícios do XVIII, e consta de um pequeno plinto cúbico sustentando uma pirâmide de secção quadrada, que termina em bola. O conjunto é em granito, e conserva ainda vestígios dos ferros de sujeição. SML



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