NATAL DOS FALA-SÓS - POEMA DE SILVA NUNES
Naquela tasca velhinha
É tudo tão natural
Que há consoada de vinho
P’rós que não têm Natal!...
Entram ali marginais,
Mulher’s nocturnas, profectas,
Contrabandistas, malandros,
Alguns doutor’s e poetas…
Ao lado do escaparate,
Num calendário velhinho
Está uma mulher nua
P’ra abrir apetite… ao vinho.
E por dentro do balcão,
Um taberneiro, sem par,
Mostra um sorriso nos lábios
Com vontade de chorar…
Entram ali marginais,
Mulher’s nocturnas, profectas,
Contrabandistas, malandros,
Alguns doutor’s e poetas…
Bebem todos p’ra esquecer;
- Tipo rasca, tipo fino…
São os fala-sós da vida
Na lixeira do destino!
Vencidos pelo Deus baco,
Na hora da consoada,
Partem os copos no chão,
Falam de tudo e de nada…
Entram ali marginais,
Mulher’s nocturnas, profectas,
Contrabandistas, malandros,
Alguns doutor’s e poetas…
Quando a noite já vai longa,
Os fregueses vão p’rá rua
E agarrados uns aos outros
Atiram pedras à Lua!...
É tudo tão natural
Que há consoada de vinho
P’rós que não têm Natal!...
Entram ali marginais,
Mulher’s nocturnas, profectas,
Contrabandistas, malandros,
Alguns doutor’s e poetas…
Ao lado do escaparate,
Num calendário velhinho
Está uma mulher nua
P’ra abrir apetite… ao vinho.
E por dentro do balcão,
Um taberneiro, sem par,
Mostra um sorriso nos lábios
Com vontade de chorar…
Entram ali marginais,
Mulher’s nocturnas, profectas,
Contrabandistas, malandros,
Alguns doutor’s e poetas…
Bebem todos p’ra esquecer;
- Tipo rasca, tipo fino…
São os fala-sós da vida
Na lixeira do destino!
Vencidos pelo Deus baco,
Na hora da consoada,
Partem os copos no chão,
Falam de tudo e de nada…
Entram ali marginais,
Mulher’s nocturnas, profectas,
Contrabandistas, malandros,
Alguns doutor’s e poetas…
Quando a noite já vai longa,
Os fregueses vão p’rá rua
E agarrados uns aos outros
Atiram pedras à Lua!...

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